domingo, 1 de março de 2015

Agridoce .

Vulnerável, frágil como um pássaro que anseia pelo voo e esta aprisionado pelas grades!
Acostumado a esta vida não esperava encontrar luz em tão belos olhos e doce sorriso.
Surpreendido ao descobrir seu interesse em suas asas acinzentadas e compreensão de seu cárcere.
Não pediu nada e também não prometeu.
Apenas sorriu, tombou a cabeça ligeiramente para a direita, olhou com tanta intensidade que o desnudou e o rubor invadiu seu bico.
Ao partir inflou o peito e cantou um ode a esta alegria ao contemplar tão longe e tão próximo. 
Quase pode sentir o calor dos afagos.
Pobre pardalzinho que mesmo livre tem o coração pesado. 
Corrente física já não o prendia e em desalento constante vivia, aprisionando suas piruetas aos ventos. 
Ó sentimento que lhe encantava e consumia, platônico piar, estes doces momentos e a impossibilidade de planar são como efêmeras gotas de orvalho.
Este amor holístico nunca será esquecido:quando o pequenino pardal se apaixonou por um menino de tez agridoce e um tanto perdido. 

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