quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Dead...

Hoje chorou pela ausência. 
Dor que não pode ser compartilhada ou explicada, é uma abstração tão forte que chega algumas vezes é incompreensível...
Há dias mais difíceis, hoje é um deles, gostaria de discutir que não gosto de me reunir em família para comer e que a reclusão em meu quarto me acalmava, hoje já não me acalma...
Não acho injusto, só estou me adaptando e tem sido complexo...
Ontem tentei a dança da minhoca e consegui, percebo o quanto somos parecidos e o quanto detesto reproduzir algumas coisas...
Aprendi a amar e a afastar contigo...
- "Deleta"
Sempre dizia. Naquele dia estávamos emburrados e nem nos abraçamos, só disse juízo... Devia ter ficado para o show, comprei seu ingresso e teimoso como uma mula não quis ficar, mesmo louco para assistir...
Se ao menos uma vez cedesse, mas seu orgulho era seu escudo... O meu também o é...
Por mais pesado que seja, cuidarei de tudo como sempre me pediu...
De alguma forma me educou para isso, ser forte e não demonstrar...
Hoje expresso, pois não há espaço para esconder tudo o que não consigo esconder...

Brindarei a noite ao meu amor, "agosto" de Deus... Setembro bizarro... Espero que neste Outubro floresça sua força em mim.

Congelada

Naquele dia percebeu que poderia ter chorado, com coração nas mãos e inquietude, verificava todos os meios de comunicação, até observou o céu buscando um sinal de fumaça
Fora ignorada e o que poderia fazer?

"Engolir a vida, sorrir sem vontade e cuidar de si..."

Sucumbe aos estilhaços e inicia a colagem, vai em frente e deixa as indagações, as memórias e os afetos...

Só quer desapegar...

segunda-feira, 1 de junho de 2015

O garoto do pier

Ele ficou ali olhando,
o barco partiu no horizonte,
os remos incessantes
levando longe as esperanças.
O Sol deitava-se
nos lençóis marítimos
e o barquinho quase não se via.
O menino sentou encostando os pés na água,
cotovelos apoiados no joelho e as mãos no rosto,
olhava para baixo sem pensar em nada.
Avistou uma ostra
e mergulhou para pegá-la,
ao chegar perto era um ouriço
e ao espetar o dedo
adormeceu em profundo veneno
que lhe cegou...
Não mais esperava o barco.
Agora seu corpo
era uma âncora
em direção ao fundo
para segurar o barquinho...
Segurou-o até o musgo revesti-lo
e a escuridão e frio entorpeciam...
O veneno atingiu-lhe o coração
então, cansou de ser
e tornou-se submarino.
Submergindo das profundezas
em direção a luz...

E o barquinho?
Continuou à mercê das marés...

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Dilaceradas...

Tenho olhos marejados pela incoerência...
Ando vacilante [atitudes ladinas desequilibram minhas certezas]
Abraço-me diante de tanta maldade... [talvez suas mágoas...]
Como ousas falar de amor?

Só semeastes feitiços para entristecer...
Coagulou meus sentimentos [inconformou-se]
Ao transformar suas palavras em lâminas
Tentastes prender minhas asas
Sem importar-se com as feridas...
Escrevo hoje à ti
Intencionada à desculpar-me
Se outrora lhe feri
Ao não sustentar esta relação.
Perdoe-me e liberta-me
Não permito mais seu ódio...
Sigas sem provocar
mais angústias;
menos luz;
dor. [para nós...]
Suspiraremos e
às lembranças sorriremos
De um amor revertido
em vôos incertos...

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Labirinto .

Sonhos eternos [quiçá pesadelos...]
desertos sem fim
no peito que urge
nas imagens da sua luz

O epílogo daquele abraço
cheiro e sussurro
guiaram sentimentos
guardados na quadrela olvidada...

Busílis transformando meus axiomas
em fidedigno labirinto.
Como nortear este emaranhado [repleto de farpas]
quando o grito [pranto]
fez de minha garganta morada!

Com convicções [agora]
fragmentadas em questões dúbias:

O que esperar? [dele, de mim... de nós.]


Deglutino [tento]
a vida.
Estas incertezas consomem
meu humor e energia.

Filosofar as lógicas;
Inquerir os sentimentos [motivações];
Racionalizar o fascínio;
Compreender os meus medos...

Não tornaram minha busca [caminho]
mais fáceis...

Qualquer perspectiva é agressiva.

Os anseios serão engolidos
pelo tempo [ciclos]
Até que a vida
decifre nossos olhares.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Decepção .

De tanto amor [que dei]
meus olhos mergulharam em ti
Em tantos sorrisos
me perdi em sua luz [minha dor].

Daquele dia ensolarado
gramas tão verdes,
ventos suaves,
beleza sua estampada
na suavidade de um beijo.

Doçura infinita [corrompida em silêncios]
seus abraços acalmavam
toda fúria que abrigava
e a melodia de sua voz
tornaram esperanças possíveis.

Efêmeros momentos
onde escondes
aquele que quis me encontrar? [talvez não mais].

Esconde os sentimentos
Como algo sujo ou proibido
Não sou Julieta e nem és meu Romeu!

Encorajou-me ao precipício
de seus encantos ternos
para afastar-se em minha queda.
Onde os voos eram seguros
e agora só restam asas pequenas.

Tomada de medo;
seu silêncio denuncia a partida [subjetiva]
de uma garota vazia...

Daqueles olhos e beijos
não mais esquecerei...
Se refuga minha imagem
dignos não serás!

Não escondo-me sobre a sombra do luar.
Não permito este breu
que insiste em me subjugar.

Se amigos não compreendem [infâmia]
é melhor se afastar.
Não sou segredos
para calar.

Agradeço o afeto
condeno minha fraqueza.
Não contento-me [não mais]
com migalhas
que podes conceder...

Parto com pesar...
Não mais espero
algo que és impossível oferecer.

Utópica felicidade...
Não podemos dar
aquilo que não temos a ofertar [nem para si].

Esperanças vazias
de um amor [não tão] sereno.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Equilíbrio .

Este azul tão limpo
que qualquer pássaro
sonharia em voar
nestes belos olhos
que contemplo até perder o ar.

Neste azul tão intenso
são um convite
para mergulhar
e descobrir todos tesouros
por trás deste olhar.

Este azul tão doce
acalmaria todas confusões
delicado igual a um pássaro
olhos fortes como um leão.

Nestes lindos olhos
Encontrei tão belo sorriso
e este azul que me encanta
faz com que perca a rima;
o eixo e encha-me de vida.


Em tantos tons de azuis encontrei paz.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Miragem .

Naquela manhã o pequeno poeta resolveu se aquecer ao sol, sentou em uma pedra e esticou as mãos, mexendo os dedos rapidamente em pequenas ondulações.
Buscava inspiração nas árvores, nas flores, na grama ou em qualquer segundo que suspirasse próximo aos seus devaneios. Aqueceu suas mãos e caminhou pelas árvores procurando amor. 
Espiou um casal de borboletas, três coelhos brincalhões correndo, uma tartaruga sonolenta e nada disso enchia seus instintos. Colheu algumas amoras e fechou os olhos, colocando uma a uma em sua boca e esperando-as derreter, sentir o sabor explodindo em sua boca era quase mágico. 
Ouviu uma risada e ao abrir-se deparou-se com uma menina de vestido rosa com rendinhas brancas, ela tinha os braços para trás e dava uns saltos perto de uma rosa. Não sabia se era a voz, as cores ou o jeito que o sol iluminava seu cabelo pelas árvores, só tinha certeza que ali estava o que procurava. 
Não conteve-se e declamou: 

- "Estou com o coração a piar
como pode tão bela flor
causar tanto alvoroço
só com um simples olhar?" 

A menina virou para ele com uma interrogação e com prazer em ouvi-lo. Chegou mais perto e disse: 

- Vamos lá, menino!
Se és tão bom em rimar,
Faça um poema para que possa lhe amar! 

O poeta empolgou-se, saltou do chão e falou: 

- Doce, menina
minha vida era tão sombria
Encontrar-te foi mais que milagre
és deleite dos meus sonhos...

E com os ânimos ditosos, o menino procurou-lhe os lábios e a bela garota dissolveu ao tocar.Pobre poeta, caíra no encanto das princesas, desejava mais do que podia e voltava a si dizendo: 

- Queria escrever sobre ti, menina,
Amei mais do que deveria,
Ó vida, dei meu amor sem cautela
sucumbo agora à espera. 

Fechou o semblante e percorreu o caminho para casa, nesta noite não haveriam mais canções.

domingo, 29 de março de 2015

Locomotiva .

Andava com uma mala e o coração nas mãos. Um semblante triste naquele rosto singular envolto de cabelos cacheados louros delicadamente ocultos em seu chapéu.
Traços delicados e olhar forte contrastavam com toda a obra. Moça esguia e miúda, não mais que o tamanho de um colibri.
Com suas mãos tão pequeninas e suaves, carregava o peso de uma vida por aquela plataforma na forma de um bilhete.
Uma vida que não era para ser vivida.
O relógio sempre consultado. O tempo é um espaço imensurável à aqueles que têm pressa.
Não há volta para os que partem, os avisos soltos pelos papeis que voam pelas plataformas, os sorrisos calados em fina boca e as lágrimas evaporadas no meio de tanta confusão.
Os ferros batiam uma nova melodia para o seu futuro, rápidos e fortes como as batidas que reverberavam em sua cabeça.
Olhos baixos, sapatos impecáveis e aquela sensação sufocante. Toca o chapéu cobrindo parte de seus olhos metálicos e entre um suspiro engole o desejo de voltar-se de costas à espera de um grito de esperança.
Sempre envolta de coletes, salvando sua pele contra as inúmeras investidas do destino, não importaria quanto a bagagem supera o peso consideravelmente permitido, seus braços eram fortes para mantê-las em pé.
Embora aquele dia em especial estava tão fraca que quase perdeu seu equilíbrio quando suas tralhas despedaçavam-se no chão como um quebra-cabeça colorido atrelados às suas viagens.
Abaixou rapidamente para colocá-los nos bolsos e levá-los consigo para onde fosse, até que pudessem enterrá-los ou entregá-los ao mar. Seu casaco não comportava tantas peças e suas mãos trêmulas não conseguiam organizá-las para otimizar o espaço.
Um lenço branco acompanhado de uma mão gentil procura auxiliá-la em seus enigmas e surpresa não contesta e não compreende.
Ele sorri francamente desconsertando seus compassos e ela sorri, Limpam suas vestes e caminham para um café, ele também está de passagem, trocam olhares e inquietações, os laços estreitam e os trens chegam em suas devidas paradas para novas partidas.
Ambos com bilhetes em mãos dadas, rotas diferentes
Desenlaçam seus dedos e dão passos oscilantes, caminham de costas e ao tocarem o terceiro degrau correm para trocar suas passagens para o próximo horário enquanto não sabem para onde aventurar-se.
Bagagens e bolsos vazios foram despachados, entre algumas palavras e borboletas eternizam a plataforma até as próximas estações.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Fly.

Eu voaria todos os dias mais alto. Voaria de sorriso em sorriso como uma abelha a polinizar minha vida. Voaria leve como um dente de leão nas minhas lembranças.
Não sou dotada de asas, mas não estou destinada a cárceres, pertenço ao vento e ao fogo, quero a liberdade para mudar as formas, os rumos e abrasar ou não todos os minutos dos meus dias.
Posso voar pelos encantos de "pessoas pássaros", mas não consigo conviver com gaiolas castrando os versos e oxidando meus sonhos.
Vamos voar e sentir cada célula pulsar alegria!

domingo, 1 de março de 2015

Agridoce .

Vulnerável, frágil como um pássaro que anseia pelo voo e esta aprisionado pelas grades!
Acostumado a esta vida não esperava encontrar luz em tão belos olhos e doce sorriso.
Surpreendido ao descobrir seu interesse em suas asas acinzentadas e compreensão de seu cárcere.
Não pediu nada e também não prometeu.
Apenas sorriu, tombou a cabeça ligeiramente para a direita, olhou com tanta intensidade que o desnudou e o rubor invadiu seu bico.
Ao partir inflou o peito e cantou um ode a esta alegria ao contemplar tão longe e tão próximo. 
Quase pode sentir o calor dos afagos.
Pobre pardalzinho que mesmo livre tem o coração pesado. 
Corrente física já não o prendia e em desalento constante vivia, aprisionando suas piruetas aos ventos. 
Ó sentimento que lhe encantava e consumia, platônico piar, estes doces momentos e a impossibilidade de planar são como efêmeras gotas de orvalho.
Este amor holístico nunca será esquecido:quando o pequenino pardal se apaixonou por um menino de tez agridoce e um tanto perdido. 

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Claves .

Talvez a liberdade tão sonhada seja uma utopia, observe os andarilhos, os anônimos que dormem nas gramas aparadas e a liberdade que eles têm eu nunca entendi.
A liberdade que carrega em seu olhar cansado, em seu corpo mal lavado, em seus cabelos desgrenhados...
 Eu que estou todo engomado, cabelo bem penteado, pareço mais um plástico! Jamais seria capaz de ver tanta beleza na simplicidade e prorrogar um sorriso na nota do sol...
Ah! aqueles velhos moinhos que somente os meninos do Vento podem perceber tamanha dor transformar-se em Cantos. Dançar na corda bamba, num samba de coração e o encanto que há nessa tal liberdade, traz a felicidade que me prometi. 
Quem me dera ter coragem de tirar o terno e sapato correr pelo mato sem dono, sem medo e ser feliz...

Caminhos .

Por onde andar quando o mundo tem diversas estradas sem sinalização? Como saber qual direção seguir quando meus joelhos fraquejam diante de tantos caminhos?
E se escolher o errado e cair num abismo ou escorregar nas pedras e ser arrastada por um rio....
Uma placa, por favor, uma seta desenhada na areia... 
 Minhas lágrimas queimam meu rosto e drenam minhas forças.
Não há nenhuma ajuda e cada segundo que atraso minha partida sou engolida por toda escuridão viscosa que mora em minhas dúvidas...
Uma luz, um pontinho de luz, clamo e desespero-me...
Ninguém por perto, então, grito até emudeceram, ela está cada vez mais próxima, sinto o seu hálito gelado em minha nuca, meu estômago gira, tento andar mas, estou afundando nesta lama negra...
Choro e me abraço, estou atascada até a cintura, sinto o umbigo submerso...
Fecho os olhos e imagino um outro lugar, qualquer lugar que aquelas trilhas poderiam me levar... 
Enquanto sonho com paisagens minha boca enche-se de medo e cada dor...
Meus olhos marejados de sangue piscam e naquele lago tranquilo não há mais nada em sua superfície.
Apenas um convite a poesias.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Beija-Flor

As flores sorriem
azuis, vermelhas, amarelas.
O espírito de um pássaro
corteja-as em seu voo;
baila no ar.

Certa manhã o pequenino
se aproxima para cheirá-las
e um vento travesso
o desequilibra e sem querer;
ele beija a flor;
que beija o pássaro.

O pássaro ganha vida e cores.
Torna-se o eterno namorado
das pétalas, perfumes e flores.
Por tão belo amor
Virou o Beija-Flor.

Crescendo .



Muitas vezes nos vemos em posição de impotência e somos levados a sacrificar alguns sonhos e a entender que, por mais poderosos que sejamos, existem circunstâncias em que simplesmente nada ou pouco podemos fazer. Necessidade de cultivar a espera e entender que a impotência é, antes de tudo, uma lição de humildade. Tudo passa e você certamente se abrirá a tempos melhores no futuro, sentindo que seus planos (no momento paralisados) fluirão a contento.