sábado, 10 de março de 2012

Competição

Sentados em um elevador quebrado, discutem arduamente e exaustos desabafam:
- Não posso mudar quem eu sou...
- Nem eu...
- E o que faremos agora?
- Não estou com vontade de falar...
- Okay, nem eu...
Ela deita a cabeça em seu ombro e suspira...

Quando o amor não é suficiente para sua vida e ao mesmo tempo indispensável... Como lidar com tantas diferenças e necessidades?
Quando cegamos de tantas dores e rebeldias e a madruga assola com lembranças...
Inevitavelmente, segue-se em frente, incompletos, entretanto, adiante... Conscientes que racionalmente é o correto... Emocionalmente fragmentados...
Expondo convicções escritas e verbais de suficiência e indiferença... Intrisecamente vedados aos sentimentos...

Desapego e afeto, realmente, a quem estamos tentando enganar, aos outros, a pessoa que está apenas ocupando um espaço para nossa fuga ou para aqueles que deixamos para trás por divergências nada cedíveis?

...

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Último ato...

Ela estava sentada no topo de uma montanha, observando o horizonte, pensando nas pessoas, problemas, lembranças que rodearam sua vida, quando sentiu um vento soprando em seus ouvidos e disse sem pensar...
- Vento, diga que eu o amo...
Depois lançou-se com os braços abertos, olhos fechados e coração pesado em direção nenhuma, apenas caindo como suas lágrimas caiam antes e molhavam o chão...

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Palavras...

Sempre dizem que vão voltar e não retornam, dizem que vão lhe amar e não amam, que lhe desejam mais que qualquer outra mas, não tocam, palavras tão acariciadas por um sentimento de necessidade e a perda sobrepuja todas as esperanças com um toque tão amargo...
" - Sempre quero beijar você e Pare! não tenho vontade... ". São frases que tornam sua vida desejável ou deplorável...
Quando a solidão lhe acalenta e imagina-se braços, suave respiração no pescoço com sensação de proteção, quando visualiza-se aquele sorriso que lhe faz prender o ar, quando seus olhos bailam ao vislumbrar todo o conjunto e sua mente fica inalterada por tal imagem... 
Quando tudo transforma-se em apenas um grito no escuro, o frio da indiferença, o azedo da perda e a inexatidão de sons...
Quando as coisas acontecem ficamos a mercê de dilemas e pensamentos obsessivos, tornamo-nos escravos das mais belas cores que jamais respiramos...

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Fragilidade x Fortaleza

Sempre se preocuparam com suas lágrimas. Acreditavam que quando molhava a face, era quando se tornava mais frágil... Não podiam imaginar que quando os olhos secaram é que foi o momento mais delicado. Ela foi crescendo, misturando uma massa de pranto recolhido e, revoltada recalcada, ficou do tamanho do seu ódio. E de lá de cima, todos eram muito pequenos...
Quando a lamúria secou, seus lábios enrijeceram, seus olhos petrificaram e os punhos cerraram. Qualquer dor para desfocar a dor, qualquer luta para vingar-se de suas lutas, qualquer pecado para mortificar suas qualidades...

sábado, 1 de outubro de 2011

Inadequado...


Perdida entre desencontros, tantas verdades que eu já nem sei mais contar, meus sonhos se extinguiram e minha vida se esvai pelos dedos.
Quantas vezes serão necessárias bater na mesma porta, até que ela se abra e contenha a escolha certa?
Dentre todos aqueles que se foram, seguro com as unhas cada fragmento que posso tocar para que também não parta, deveras inevitável, o pranto se escoa e o tempo anula-se.
A despedida é iniciada e negada, as partículas se desprendem e gravitam em outro espaço
O riso fácil e jovial torna-se dissonante com a lamúria instalada naqueles olhos enevoados de devaneios.
A esperança instala-se em todos os poros e busca consolo em cada articulação para eximir a culpa. Atenua-se com delírios de uma garota retornando às lembranças saborosas.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Liberdade

E de tanta tristeza cessaram os batimentos.


Havia um belo pássaro azul que lamentava todos os dias, o fato de ser sido-lhe imposto uma gaiola.
Todos os dias acordava, olhava pela grade e pensava:
- Quero minha liberdade!
Mostrava-se muitas vezes agressivo, melancólico e até mesmo ausente de si, quando era o momento de ser tratado.
Cantava uma melodia triste, não suportava ver outros pássaros fazendo o que sentiam vontade enquanto ele estava fadado a limitações.
Certo dia, antes de dormir, cansado da vida que levava, bolou um plano e adormeceu com um sorriso no bico.
No outro dia, quando foram tratá-lo, conseguiu escapar e voou livremente pela janela, sua euforia era tanta, que não sabia nem para onde ir, voou adiante até suas asas cansarem, pousou e apesar de exausto, mal podia conter-se por estar finalmente livre. Entretanto, o tempo foi passando ao longo do dia, sentiu fome, sentiu frio, voou sem rumo para vários lugares buscando a felicidade tão sonhada...
Voou entre gansos, periquitos, maritacas, corvos, corujas e até mesmo com morcegos, procurando aquela sensação que devaneava no balanço de sua gaiola.
Após algum tempo, o pássaro tornou-se novamente melancólico, agressivo e até mesmo ausente de si, quando uma gaivota voava por perto e resolveu conversar um pouco:
- E aí marujo, o que manda?
- Eu não sei, estou só aqui parado pensando... - Disse o pássaro azul sem desviar os olhos do horizonte.
A gaivota retrucou:
- Pensando em que?
- Eu não sei dizer, estou procurando...
Novamente a gaivota falou:
- Procurando o que?
O Pássaro azul deu um grande suspiro, contou sua história para a Gaivota, que apenas balançava a cabeça e o bico para cima e para baixo. Quando terminou, ficaram em silencio alguns minutos, até que a Gaivota falasse:
- Marujo, a liberdade está dentro de você, há pássaros livres em gaiolas com seus humanos e pássaros em cativeiro quando em liberdade. A liberdade está em seu coração. A pergunta que deve responder é... Aonde meu coração está?
Terminou a frase e levantou voou seguindo seu percurso.
O Pássaro azul permaneceu no mesmo lugar durante muito tempo, procurando resposta para a pergunta da Gaivota. Começou a buscar dentro de suas lembranças aonde estava seu coração... Entre breves lágrimas e sorrisos, percebeu que antes de ver outros pássaros "livres" era feliz em sua gaiola, cantava alegremente todos os dias, acariciava a mão de sua dona todas as manhãs e havia desvalorizado todo o amor e lar que tinha, por uma ilusão. Afinal, concluíra que para cada pássaro há uma liberdade relativa e que a realidade do outro poderá nos deixar infeliz.
Levantou voou para voltar para casa, para sua gaiola, seu ninho e sua dona, voou adiante até suas asas cansarem, pousou e apesar de exausto, mal podia conter-se por estar finalmente na janela de sua casa.
Respirou fundo para cantar a mais linda das canções que jamais havia cantado quando ouviu outra música, procurou em volta entretanto, não via nenhum pássaro voando por perto ou pousado em uma árvore, ouviu novamente e olhou pela janela...
Não podia suportar, em sua gaiola havia outro pássaro, um pássaro amarelo, cantando alegre em seu balanço.
O Pássaro azul permaneceu lá olhando a noite inteira, o outro pássaro com a sua dona, alimentando-se e dormindo na sua gaiola...
Então chorou e de tanta tristeza cessaram os batimentos...

.

Deleite...

De todos os amores, você despertou os meus sonhos mais doces, meus desejos mais quentes e meus sorrisos mais sinceros...

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Sentinela...

Não há uma manhã que não pense no que virá a seguir, parece que todas as minhas atitudes estão erradas e quanto mais tento me aproximar, mais me distancio... A cada vitória que vibro esqueço-me que em poucos instantes cairei de joelhos com o fracasso... Esta competição está me enlouquecendo, não há nada que eu faça que seja o suficiente... O que há de tão errado comigo? Seria necessário o que para sorrir ou satisfazer... Este cheiro agridoce que apenas o prelúdio a dor tem é inebriante, em meu tórax sinto-o pequeno a cada minuto e fecho os olhos esperando aquele momento do qual quem já sofreu compreende...
Sinto-me tão só que os ciclos não fazem sentido, testes após testes e continuo aqui, dolorida mas, em pé...
Quantos sonhos a economizar enquanto não é permitido?
Apenas em pé e olhos opacos, resistindo as tempestades...



 (8) What About Now - Daughtry

What about now?
What about today?
What if you're making me all that I was meant to be?
What if our love never went away?
What if it's lost behind words we could never find?
Baby, before it's too late,
What about now?
(8)

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Sweetheart

Entregue-se em meus braços e esqueça seus medos, eu ainda estou adormecida e quero acordar com seus afagos...
Permita-se sonhar e sorria comigo, corra para mim e sinta meus olhos percorrerem suavemente seus traços.
Cante próxima aos meus ouvidos enquanto fecho os olhos e lhe abraço, deixe que a música nos embale onde possamos dançar suavemente nutrindo nossa felicidade em beijos, olhos e sorrisos...
Há tanto em mim para você... Fique calma e me dê a mão, pois, hoje eu cuidarei de nós...

.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Progresso

Eu não queria ser assombrada pelo seu passado e não quero contar sobre os meus fantasmas. Não quero ser a folha seca que serve de adubo, tão menos ser a poeira que acumula-se no seu porta-retrato. Quero ser a água da chuva que escorre pelo seu corpo e as curvas de cada pétala do seu sorriso. quero ser o sol que esquenta a sua pele, quero ser manhã, vento e terra, viajar em devaneios e acordar realizando desejos. A História é criada pelo passado, mas, persiste-se olhando para frente, isso se chama evolução.


.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Analogia à traição.

O namorado é o herói de toda princesa que virou mulher e quando ele a trai, não são apenas o castelo, as bandeiras, músicas e fadas que desmoronam, todo o resto deixa de existir.

.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Uni-duni-tê... o escolhido foi ?

Seriam necessários muitos anos de reflexão, para compreender com exatidão os sentimentos que nos unem às pessoas que em poucos minutos eram apenas parte do design da vida.
A composição dos nossos quadros afeto-sociais modifica-se invariavelmente à nossa vontade e por mais organizado ou controlador que tentemos ser, não podemos reverter uma composição que se inicia ou solidifica-se...
Estamos à mercê dos encantos que nos rodeiam em todos os instantes e não podemos prever a transição de sentimento para cada qual que esbarra em nossa vida.
O conflito surge quando a pessoa que entra na sua vida está olhando para várias placas humanas e não sabe como se portar ou qual escolha fazer...
Dissonante da melodia dos sonhos da pequena princesa, nasce sua primeira filha: Insegurança, após o parto, nascem os trigêmeos: Medo, Posse e Ciúme.
O sorriso ainda no rosto, iluminando cada vez mais a própria estrada para este misterioso transeunte e, por um golpe de sorte, o mesmo lhe estende as mãos e caminha em sua direção, crescem os filhos dela e tornam-se adolescentes que naturalmente variam com a educação dos pais, surgindo variações como: Confiança, Felicidade e Harmonia, afinal um dos filhos falecera na inicio, e Neurose, Pânico, Obsessão, Desconfiança e Dissimulação, aliás, neste estágio ela gerou mais uma criança para tentar consertar as coisas.
Obtemos da primeira relação os seguintes filhos-jovens: Amizade, Carinho, Respeito, que modificaram-se com os valores e profundidade e os pais empolgados geraram o pequenino Amor, que diga-se de passagem era lindo.
Já na situação inversa os temíveis adolescentes tornaram-se: Agressividade, Cobrança, Tristeza, Dependência, Mágoa, Rancor e o temível Desencanto...
Após algum tempo, o primeiro casal progride e o segundo tem apenas duas opções: desatar as mãos e seguir cada qual com suas “crias” ou gerar o Ódio, que quando adolescente pode tornar-se Morte...

sábado, 30 de outubro de 2010

Olhos de gato...

Eu estou dirigindo sem rumo, a música toca aleatoriamente e nesta estrada não vejo nada, a neblina esconde cada curva e esta chuva constante tornam a situação mais dramática...


Choro em um fluxo intenso e meus olhos estão nublados de tanta dor... Mãos no volante, 100, 120, 140, 180 km/h, não vejo nada, não penso em nada, sinto o meu peito rasgado e minha vida estilhaçada em cada segundo, acelero e sigo os olhos de gato na pista...

Não consigo acreditar que houvesse tanta dor no mundo e estava toda represada em mim, mal consigo respirar, sinto todo o peso de cada lágrima que escorre, como se chorasse por todos os traumas, todas as perdas, todo o passado não superado apenas abstraído...

Acelero mais, quase um suicídio, não enxergo a mais que 2 metros no caminho, o farol ilumina pouco e meus olhos estão transbordando, poderia morrer a qualquer momento, qualquer coisa para anestesiar e apagar a consciência...

Tempestade ambígua, não sei onde está mais perigoso, estou molhada de lágrimas e o mundo de chuva, choro mais alto que a música e que os trovões, meu desespero escorre pelo parabrisa e não há nada para cessá-lo.

.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Fábula de Esopo

O cervo, o manancial e o leão
 
Agoniado pela sede, chegou um cervo a um manancial. Depois de beber,  viu seu reflexo na água. Ao contemplar seus belos chifres, sentiu-se orgulhoso, porém ficou descontente por suas pernas serem fracas e finas. Enquanto assim pensava, apareceu um leão que começou a persegui-lo. Começou a correr e tomou grande distância, porque a força dos cervos está em suas pernas, e a do leão em seu coração. Enquanto corria, o cervo guardou a distância que o salvava; mas, ao entrar num bosque, seus chifres se engancharam nos ramos e, não podendo escapar, foi alcançado pelo leão.
A ponto de morrer, exclamou para si mesmo:
- Infeliz! Meus pés, que pensava me trairiam, foram os que me salvaram e meus chifres, nos quais colocava toda minha confiança, são os que me perdem.

 
Muitas vezes, a quem cremos mais indiferentes, são aqueles que nos dão a mão, enquanto os que nos adulam, quando precisamos, desaparecem.

domingo, 5 de setembro de 2010

Cura .

Ela acordou e descobriu que estava tão só, que sua essência havia ido embora com todo mundo.
Desesperada chorou mas, as lágrimas não  saciavam as perdas, tornaram-se funcionais, chorava porque não havia motivo para sorrir, mas, não lembrava-se qual era a razão principal que a motivava a chorar. Apenas molhava os cabelos, a roupa e os olhos inchados e sem cílios ficaram tão acostumados a agressividade ácida de sua dor.
Olhava o espectro no espelho, sentia o peso do corpo e todo seu vazio de barro, como uma obra mal-feita e abandonada e retornava ao habitual choro.
Chorou por segundos que transformaram em meses. Chorou em madrugadas eternas onde a Aurora recusava-se a lhe estender a mão.
Chorava silenciosamente no inicio e conforme as gotas preenchiam o buraco na alma, chorava como um animal ferido, encolhido no chão em posição fetal e quando alcançava o limite, perdia a voz e voltava aos soluços até o silencio fora e dentro ecoasse a partida de tantos e ninguém.
Certo dia cansada do espelho, do silêncio, do chão gelado e da indiferença resolveu dar uma volta e ver se havia vida lá fora.
Andou sem compromisso, sem perceber absolutamente nada e seus olhos foram enchendo-se como em um recipiente que ficou pequeno demais para conter tanto volume e derrama.
Na terceira ou quarta esquina, ela estancou e fechou os olhos preparada para se trancar em seu mundo e voltar para o quarto, quando se sentiu acariciada e desejada por milhares de mãos que sussurravam em seus ouvidos, sem nenhuma expressão que palavras terrenas poderiam explicar. O medo de acordar deste sonho sublime após tanta dor, era imenso. Entretanto, reuniu o pouco de coragem que havia sobrado em algum lugar que ela nem imaginava e abriu os olhos. Não havia ninguém lá. Desesperou-se e acreditou ter enlouquecido. Cruzou os braços abraçando-se e começou a andar depressa, virou a direita, desceu três quarteirões, mais cinco à esquerda e caiu na calçada após chocar-se com alguém.
Ficou envergonhada, já havia desaprendido a falar e balbuciou timidamente:
- Desculpe...
Ninguém respondeu e no auge de sua ousadia olhou para cima e viu uma profusão de cores, pasmou-se. Vinha de um mundo onde não mais existia matiz, apenas escalas cinzas e suas possíveis variáveis. Um momento de tempo incontável até se dar conta do que estava fazendo, levantou e limpou-se, ia continuar seu caminho todavia, não sabia nem como havia chegado naquele santuário. Foi em direção até um banco, tirou os sapatos e deixou que a grama brincasse com seus pés, sentiu o orvalho de cada folha e seu corpo parecia absorver cada experiência.
O vento voltou a lhe acariciar com suas mil mãos e falar ao ouvido, a flamboyant acalentava seus olhos tão machucados, curando-os através de suas cores e frondosa copa. Como uma mãe a proteger um filho e finalmente houve uma pausa em sua dor.
Sentiu o calor do sol aquecendo sua pele, a brisa enamorada a lhe falar segredinhos, a flamboyant deu-lhe algumas flores e os pássaros entoavam a canção para o seu despertar.
Ela viu que havia vida lá fora, aprendeu a sentir o amor de outras formas e encontrou-se em momentos detalhados de encantamento.
Suas dores continuaram, mas, todos os dias ia visitar seu paraíso e a procurar lugares onde a vida estivesse disposta a lhe encontrar, até o dia em que não doía mais nada, encontrou-se.

"...O essencial é invisível aos olhos..."

.