E de tanta tristeza cessaram os batimentos.
Havia um belo pássaro azul que lamentava todos os dias, o fato de ser sido-lhe imposto uma gaiola.
Todos os dias acordava, olhava pela grade e pensava:
- Quero minha liberdade!
Mostrava-se muitas vezes agressivo, melancólico e até mesmo ausente de si, quando era o momento de ser tratado.
Cantava uma melodia triste, não suportava ver outros pássaros fazendo o que sentiam vontade enquanto ele estava fadado a limitações.
Certo dia, antes de dormir, cansado da vida que levava, bolou um plano e adormeceu com um sorriso no bico.
No outro dia, quando foram tratá-lo, conseguiu escapar e voou livremente pela janela, sua euforia era tanta, que não sabia nem para onde ir, voou adiante até suas asas cansarem, pousou e apesar de exausto, mal podia conter-se por estar finalmente livre. Entretanto, o tempo foi passando ao longo do dia, sentiu fome, sentiu frio, voou sem rumo para vários lugares buscando a felicidade tão sonhada...
Voou entre gansos, periquitos, maritacas, corvos, corujas e até mesmo com morcegos, procurando aquela sensação que devaneava no balanço de sua gaiola.
Após algum tempo, o pássaro tornou-se novamente melancólico, agressivo e até mesmo ausente de si, quando uma gaivota voava por perto e resolveu conversar um pouco:
- E aí marujo, o que manda?
- Eu não sei, estou só aqui parado pensando... - Disse o pássaro azul sem desviar os olhos do horizonte.
A gaivota retrucou:
- Pensando em que?
- Eu não sei dizer, estou procurando...
Novamente a gaivota falou:
- Procurando o que?
O Pássaro azul deu um grande suspiro, contou sua história para a Gaivota, que apenas balançava a cabeça e o bico para cima e para baixo. Quando terminou, ficaram em silencio alguns minutos, até que a Gaivota falasse:
- Marujo, a liberdade está dentro de você, há pássaros livres em gaiolas com seus humanos e pássaros em cativeiro quando em liberdade. A liberdade está em seu coração. A pergunta que deve responder é... Aonde meu coração está?
Terminou a frase e levantou voou seguindo seu percurso.
O Pássaro azul permaneceu no mesmo lugar durante muito tempo, procurando resposta para a pergunta da Gaivota. Começou a buscar dentro de suas lembranças aonde estava seu coração... Entre breves lágrimas e sorrisos, percebeu que antes de ver outros pássaros "livres" era feliz em sua gaiola, cantava alegremente todos os dias, acariciava a mão de sua dona todas as manhãs e havia desvalorizado todo o amor e lar que tinha, por uma ilusão. Afinal, concluíra que para cada pássaro há uma liberdade relativa e que a realidade do outro poderá nos deixar infeliz.
Levantou voou para voltar para casa, para sua gaiola, seu ninho e sua dona, voou adiante até suas asas cansarem, pousou e apesar de exausto, mal podia conter-se por estar finalmente na janela de sua casa.
Respirou fundo para cantar a mais linda das canções que jamais havia cantado quando ouviu outra música, procurou em volta entretanto, não via nenhum pássaro voando por perto ou pousado em uma árvore, ouviu novamente e olhou pela janela...
Não podia suportar, em sua gaiola havia outro pássaro, um pássaro amarelo, cantando alegre em seu balanço.
O Pássaro azul permaneceu lá olhando a noite inteira, o outro pássaro com a sua dona, alimentando-se e dormindo na sua gaiola...
Então chorou e de tanta tristeza cessaram os batimentos...
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sexta-feira, 1 de julho de 2011
Deleite...
De todos os amores, você despertou os meus sonhos mais doces, meus desejos mais quentes e meus sorrisos mais sinceros...
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Sentinela...
Não há uma manhã que não pense no que virá a seguir, parece que todas as minhas atitudes estão erradas e quanto mais tento me aproximar, mais me distancio... A cada vitória que vibro esqueço-me que em poucos instantes cairei de joelhos com o fracasso... Esta competição está me enlouquecendo, não há nada que eu faça que seja o suficiente... O que há de tão errado comigo? Seria necessário o que para sorrir ou satisfazer... Este cheiro agridoce que apenas o prelúdio a dor tem é inebriante, em meu tórax sinto-o pequeno a cada minuto e fecho os olhos esperando aquele momento do qual quem já sofreu compreende...
Sinto-me tão só que os ciclos não fazem sentido, testes após testes e continuo aqui, dolorida mas, em pé...
Quantos sonhos a economizar enquanto não é permitido?
Apenas em pé e olhos opacos, resistindo as tempestades...
(8) What About Now - Daughtry
What about now?
What about today?
What if you're making me all that I was meant to be?
What if our love never went away?
What if it's lost behind words we could never find?
Baby, before it's too late,
What about now? (8)
(8) What About Now - Daughtry
What about now?
What about today?
What if you're making me all that I was meant to be?
What if our love never went away?
What if it's lost behind words we could never find?
Baby, before it's too late,
What about now? (8)
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Sweetheart
Entregue-se em meus braços e esqueça seus medos, eu ainda estou adormecida e quero acordar com seus afagos...
Permita-se sonhar e sorria comigo, corra para mim e sinta meus olhos percorrerem suavemente seus traços.
Cante próxima aos meus ouvidos enquanto fecho os olhos e lhe abraço, deixe que a música nos embale onde possamos dançar suavemente nutrindo nossa felicidade em beijos, olhos e sorrisos...
Há tanto em mim para você... Fique calma e me dê a mão, pois, hoje eu cuidarei de nós...
Permita-se sonhar e sorria comigo, corra para mim e sinta meus olhos percorrerem suavemente seus traços.
Cante próxima aos meus ouvidos enquanto fecho os olhos e lhe abraço, deixe que a música nos embale onde possamos dançar suavemente nutrindo nossa felicidade em beijos, olhos e sorrisos...
Há tanto em mim para você... Fique calma e me dê a mão, pois, hoje eu cuidarei de nós...
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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Progresso
Eu não queria ser assombrada pelo seu passado e não quero contar sobre os meus fantasmas. Não quero ser a folha seca que serve de adubo, tão menos ser a poeira que acumula-se no seu porta-retrato. Quero ser a água da chuva que escorre pelo seu corpo e as curvas de cada pétala do seu sorriso. quero ser o sol que esquenta a sua pele, quero ser manhã, vento e terra, viajar em devaneios e acordar realizando desejos. A História é criada pelo passado, mas, persiste-se olhando para frente, isso se chama evolução.
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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Analogia à traição.
O namorado é o herói de toda princesa que virou mulher e quando ele a trai, não são apenas o castelo, as bandeiras, músicas e fadas que desmoronam, todo o resto deixa de existir.
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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Uni-duni-tê... o escolhido foi ?
Seriam necessários muitos anos de reflexão, para compreender com exatidão os sentimentos que nos unem às pessoas que em poucos minutos eram apenas parte do design da vida.
A composição dos nossos quadros afeto-sociais modifica-se invariavelmente à nossa vontade e por mais organizado ou controlador que tentemos ser, não podemos reverter uma composição que se inicia ou solidifica-se...
Estamos à mercê dos encantos que nos rodeiam em todos os instantes e não podemos prever a transição de sentimento para cada qual que esbarra em nossa vida.
O conflito surge quando a pessoa que entra na sua vida está olhando para várias placas humanas e não sabe como se portar ou qual escolha fazer...
Dissonante da melodia dos sonhos da pequena princesa, nasce sua primeira filha: Insegurança, após o parto, nascem os trigêmeos: Medo, Posse e Ciúme.
O sorriso ainda no rosto, iluminando cada vez mais a própria estrada para este misterioso transeunte e, por um golpe de sorte, o mesmo lhe estende as mãos e caminha em sua direção, crescem os filhos dela e tornam-se adolescentes que naturalmente variam com a educação dos pais, surgindo variações como: Confiança, Felicidade e Harmonia, afinal um dos filhos falecera na inicio, e Neurose, Pânico, Obsessão, Desconfiança e Dissimulação, aliás, neste estágio ela gerou mais uma criança para tentar consertar as coisas.
Obtemos da primeira relação os seguintes filhos-jovens: Amizade, Carinho, Respeito, que modificaram-se com os valores e profundidade e os pais empolgados geraram o pequenino Amor, que diga-se de passagem era lindo.
Já na situação inversa os temíveis adolescentes tornaram-se: Agressividade, Cobrança, Tristeza, Dependência, Mágoa, Rancor e o temível Desencanto...
Após algum tempo, o primeiro casal progride e o segundo tem apenas duas opções: desatar as mãos e seguir cada qual com suas “crias” ou gerar o Ódio, que quando adolescente pode tornar-se Morte...
A composição dos nossos quadros afeto-sociais modifica-se invariavelmente à nossa vontade e por mais organizado ou controlador que tentemos ser, não podemos reverter uma composição que se inicia ou solidifica-se...
Estamos à mercê dos encantos que nos rodeiam em todos os instantes e não podemos prever a transição de sentimento para cada qual que esbarra em nossa vida.
O conflito surge quando a pessoa que entra na sua vida está olhando para várias placas humanas e não sabe como se portar ou qual escolha fazer...
Dissonante da melodia dos sonhos da pequena princesa, nasce sua primeira filha: Insegurança, após o parto, nascem os trigêmeos: Medo, Posse e Ciúme.
O sorriso ainda no rosto, iluminando cada vez mais a própria estrada para este misterioso transeunte e, por um golpe de sorte, o mesmo lhe estende as mãos e caminha em sua direção, crescem os filhos dela e tornam-se adolescentes que naturalmente variam com a educação dos pais, surgindo variações como: Confiança, Felicidade e Harmonia, afinal um dos filhos falecera na inicio, e Neurose, Pânico, Obsessão, Desconfiança e Dissimulação, aliás, neste estágio ela gerou mais uma criança para tentar consertar as coisas.
Obtemos da primeira relação os seguintes filhos-jovens: Amizade, Carinho, Respeito, que modificaram-se com os valores e profundidade e os pais empolgados geraram o pequenino Amor, que diga-se de passagem era lindo.
Já na situação inversa os temíveis adolescentes tornaram-se: Agressividade, Cobrança, Tristeza, Dependência, Mágoa, Rancor e o temível Desencanto...
Após algum tempo, o primeiro casal progride e o segundo tem apenas duas opções: desatar as mãos e seguir cada qual com suas “crias” ou gerar o Ódio, que quando adolescente pode tornar-se Morte...
sábado, 30 de outubro de 2010
Olhos de gato...
Eu estou dirigindo sem rumo, a música toca aleatoriamente e nesta estrada não vejo nada, a neblina esconde cada curva e esta chuva constante tornam a situação mais dramática...
Choro em um fluxo intenso e meus olhos estão nublados de tanta dor... Mãos no volante, 100, 120, 140, 180 km/h, não vejo nada, não penso em nada, sinto o meu peito rasgado e minha vida estilhaçada em cada segundo, acelero e sigo os olhos de gato na pista...
Não consigo acreditar que houvesse tanta dor no mundo e estava toda represada em mim, mal consigo respirar, sinto todo o peso de cada lágrima que escorre, como se chorasse por todos os traumas, todas as perdas, todo o passado não superado apenas abstraído...
Acelero mais, quase um suicídio, não enxergo a mais que 2 metros no caminho, o farol ilumina pouco e meus olhos estão transbordando, poderia morrer a qualquer momento, qualquer coisa para anestesiar e apagar a consciência...
Tempestade ambígua, não sei onde está mais perigoso, estou molhada de lágrimas e o mundo de chuva, choro mais alto que a música e que os trovões, meu desespero escorre pelo parabrisa e não há nada para cessá-lo.
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terça-feira, 12 de outubro de 2010
Fábula de Esopo
Agoniado pela sede, chegou um cervo a um manancial. Depois de beber, viu seu reflexo na água. Ao contemplar seus belos chifres, sentiu-se orgulhoso, porém ficou descontente por suas pernas serem fracas e finas. Enquanto assim pensava, apareceu um leão que começou a persegui-lo. Começou a correr e tomou grande distância, porque a força dos cervos está em suas pernas, e a do leão em seu coração. Enquanto corria, o cervo guardou a distância que o salvava; mas, ao entrar num bosque, seus chifres se engancharam nos ramos e, não podendo escapar, foi alcançado pelo leão.
A ponto de morrer, exclamou para si mesmo:
- Infeliz! Meus pés, que pensava me trairiam, foram os que me salvaram e meus chifres, nos quais colocava toda minha confiança, são os que me perdem.
A ponto de morrer, exclamou para si mesmo:
- Infeliz! Meus pés, que pensava me trairiam, foram os que me salvaram e meus chifres, nos quais colocava toda minha confiança, são os que me perdem.
domingo, 5 de setembro de 2010
Cura .
Ela acordou e descobriu que estava tão só, que sua essência havia ido embora com todo mundo.
Desesperada chorou mas, as lágrimas não saciavam as perdas, tornaram-se funcionais, chorava porque não havia motivo para sorrir, mas, não lembrava-se qual era a razão principal que a motivava a chorar. Apenas molhava os cabelos, a roupa e os olhos inchados e sem cílios ficaram tão acostumados a agressividade ácida de sua dor.
Olhava o espectro no espelho, sentia o peso do corpo e todo seu vazio de barro, como uma obra mal-feita e abandonada e retornava ao habitual choro.
Chorou por segundos que transformaram em meses. Chorou em madrugadas eternas onde a Aurora recusava-se a lhe estender a mão.
Chorava silenciosamente no inicio e conforme as gotas preenchiam o buraco na alma, chorava como um animal ferido, encolhido no chão em posição fetal e quando alcançava o limite, perdia a voz e voltava aos soluços até o silencio fora e dentro ecoasse a partida de tantos e ninguém.
Certo dia cansada do espelho, do silêncio, do chão gelado e da indiferença resolveu dar uma volta e ver se havia vida lá fora.
Andou sem compromisso, sem perceber absolutamente nada e seus olhos foram enchendo-se como em um recipiente que ficou pequeno demais para conter tanto volume e derrama.
Na terceira ou quarta esquina, ela estancou e fechou os olhos preparada para se trancar em seu mundo e voltar para o quarto, quando se sentiu acariciada e desejada por milhares de mãos que sussurravam em seus ouvidos, sem nenhuma expressão que palavras terrenas poderiam explicar. O medo de acordar deste sonho sublime após tanta dor, era imenso. Entretanto, reuniu o pouco de coragem que havia sobrado em algum lugar que ela nem imaginava e abriu os olhos. Não havia ninguém lá. Desesperou-se e acreditou ter enlouquecido. Cruzou os braços abraçando-se e começou a andar depressa, virou a direita, desceu três quarteirões, mais cinco à esquerda e caiu na calçada após chocar-se com alguém.
Ficou envergonhada, já havia desaprendido a falar e balbuciou timidamente:
- Desculpe...
Ninguém respondeu e no auge de sua ousadia olhou para cima e viu uma profusão de cores, pasmou-se. Vinha de um mundo onde não mais existia matiz, apenas escalas cinzas e suas possíveis variáveis. Um momento de tempo incontável até se dar conta do que estava fazendo, levantou e limpou-se, ia continuar seu caminho todavia, não sabia nem como havia chegado naquele santuário. Foi em direção até um banco, tirou os sapatos e deixou que a grama brincasse com seus pés, sentiu o orvalho de cada folha e seu corpo parecia absorver cada experiência.
O vento voltou a lhe acariciar com suas mil mãos e falar ao ouvido, a flamboyant acalentava seus olhos tão machucados, curando-os através de suas cores e frondosa copa. Como uma mãe a proteger um filho e finalmente houve uma pausa em sua dor.
Sentiu o calor do sol aquecendo sua pele, a brisa enamorada a lhe falar segredinhos, a flamboyant deu-lhe algumas flores e os pássaros entoavam a canção para o seu despertar.
Ela viu que havia vida lá fora, aprendeu a sentir o amor de outras formas e encontrou-se em momentos detalhados de encantamento.
Suas dores continuaram, mas, todos os dias ia visitar seu paraíso e a procurar lugares onde a vida estivesse disposta a lhe encontrar, até o dia em que não doía mais nada, encontrou-se.
Desesperada chorou mas, as lágrimas não saciavam as perdas, tornaram-se funcionais, chorava porque não havia motivo para sorrir, mas, não lembrava-se qual era a razão principal que a motivava a chorar. Apenas molhava os cabelos, a roupa e os olhos inchados e sem cílios ficaram tão acostumados a agressividade ácida de sua dor.
Olhava o espectro no espelho, sentia o peso do corpo e todo seu vazio de barro, como uma obra mal-feita e abandonada e retornava ao habitual choro.
Chorou por segundos que transformaram em meses. Chorou em madrugadas eternas onde a Aurora recusava-se a lhe estender a mão.
Chorava silenciosamente no inicio e conforme as gotas preenchiam o buraco na alma, chorava como um animal ferido, encolhido no chão em posição fetal e quando alcançava o limite, perdia a voz e voltava aos soluços até o silencio fora e dentro ecoasse a partida de tantos e ninguém.
Certo dia cansada do espelho, do silêncio, do chão gelado e da indiferença resolveu dar uma volta e ver se havia vida lá fora.
Andou sem compromisso, sem perceber absolutamente nada e seus olhos foram enchendo-se como em um recipiente que ficou pequeno demais para conter tanto volume e derrama.
Na terceira ou quarta esquina, ela estancou e fechou os olhos preparada para se trancar em seu mundo e voltar para o quarto, quando se sentiu acariciada e desejada por milhares de mãos que sussurravam em seus ouvidos, sem nenhuma expressão que palavras terrenas poderiam explicar. O medo de acordar deste sonho sublime após tanta dor, era imenso. Entretanto, reuniu o pouco de coragem que havia sobrado em algum lugar que ela nem imaginava e abriu os olhos. Não havia ninguém lá. Desesperou-se e acreditou ter enlouquecido. Cruzou os braços abraçando-se e começou a andar depressa, virou a direita, desceu três quarteirões, mais cinco à esquerda e caiu na calçada após chocar-se com alguém.
Ficou envergonhada, já havia desaprendido a falar e balbuciou timidamente:
- Desculpe...
Ninguém respondeu e no auge de sua ousadia olhou para cima e viu uma profusão de cores, pasmou-se. Vinha de um mundo onde não mais existia matiz, apenas escalas cinzas e suas possíveis variáveis. Um momento de tempo incontável até se dar conta do que estava fazendo, levantou e limpou-se, ia continuar seu caminho todavia, não sabia nem como havia chegado naquele santuário. Foi em direção até um banco, tirou os sapatos e deixou que a grama brincasse com seus pés, sentiu o orvalho de cada folha e seu corpo parecia absorver cada experiência.
O vento voltou a lhe acariciar com suas mil mãos e falar ao ouvido, a flamboyant acalentava seus olhos tão machucados, curando-os através de suas cores e frondosa copa. Como uma mãe a proteger um filho e finalmente houve uma pausa em sua dor.
Sentiu o calor do sol aquecendo sua pele, a brisa enamorada a lhe falar segredinhos, a flamboyant deu-lhe algumas flores e os pássaros entoavam a canção para o seu despertar.
Ela viu que havia vida lá fora, aprendeu a sentir o amor de outras formas e encontrou-se em momentos detalhados de encantamento.
Suas dores continuaram, mas, todos os dias ia visitar seu paraíso e a procurar lugares onde a vida estivesse disposta a lhe encontrar, até o dia em que não doía mais nada, encontrou-se.
"...O essencial é invisível aos olhos..."
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sábado, 28 de agosto de 2010
Torrencial
Entre os ventos que secaram minhas lágrimas, romperam meu coração. Perdida na tempestade de sentimentos, a chuva forte lavava meu corpo enquanto minha alma continuava enlameada de mágoas e dores, nenhum movimento além do respirar, braços ao longo do corpo, parada em pé perto de lugar algum, cabelo ensopado encobrindo parte do rosto. Nenhum movimento físico além do respirar. Enquanto sua mente digladiava-se com inúmeras lembranças que fatiavam seu ego. Eco no infinito e um hiato no tempo absorveram o momento, a chuva cessou e o corvo sentado no galho seco da árvore próxima, não mais alimentava-se com as minhas tristezas, bateu suas asas entre os ventos que secaram minhas lágrimas e romperam meu coração.
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sábado, 21 de agosto de 2010
Esterco ou Marinheiro?
... " Jamais pense num homem como uma árvore cuja sombra você pode descansar. A mulher é apenas o fertilizante, apodrecendo para deixar a árvore forte... Não existe amor real. Os casais que parecem amorosos ficam juntos por interesse pessoal, seja dinheiro, poder ou influência...” ¹
“ Dizem que as mulheres dão valor às emoções e os homens dão valor à carne. Se essa generalização for verdade, para que se casar? A mulher que fica com o marido infiel é tola. “ ²
Antes da 7 da matina e afirmações tão fortes, o que esperar deste sábado? Rsrs. Admiravelmente ambas as afirmações “casam” com minhas concepções, lembrando bem o conceito de casamento inicial.
Em um relacionamento há sempre a parte “frágil”, aquele que ama, cuida, desdobra-se em zelos admiráveis para ser sucumbido pela energia sexual do outro com o mundo. Todo o momento do 1° como “Casas Bahia – Dedicação Total à Você” em busca de trocas mínimas de respeito e lealdade torna-se adubo, esteio, degrau, o caralho para o 2° nutrir sua carência de mãe/ colo/ feto/ variações; para lançar-se em um tsunami de corpos, bebidas, néon e máscaras. Logo, saciado o animal, ops, elemento número 2, procura “ GAIA, a mãe-terra, que embala seus sonhos, cuida de suas raízes preparando o pobre marinheiro para suas próximas explorações (Gaia, galha, cervo...)
Eis aí seu companheiro leal, sem auto-estima e desesperadamente carente, seu lema: “ Preciso de você, porque eu não sou o suficiente para mim”. Pegue-o e adube-se.
Eis aí seu companheiro guia, egoísta, cretino e cruel, seus lemas: “ Gozo, logo existo!”; “ Eu me amo, me amo e eu já disse que me amo?” e finalmente: “ Eu sou livre, te amo mas, gosto de viver a minha vida...” (aliás, ele jamais teria apenas um, é necessário vários para se auto-afirmar...)
Qualquer que seja seu encaixe, apenas um pensamento: “ Só lamento “.
Presos indefinidamente ao esterco que nos tornamos ou usufruímos.
Não sei o que é pior, ser o primeiro ou o segundo. Descubra-se.
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Notas: Trechos extraídos do livro: XINRAN. As boas mulheres da China.
¹ - Ying’er – página 56.
² - Jin Shuai – página 56.
sábado, 24 de julho de 2010
Malus sp. / família Rosaceae.
Certo dia uma menina estendeu a mão para um cesto enorme repleto de maçãs de vários tipos e tamanhos. A primeira que ela pegou era grande, bem vermelha e aparentemente saudável, no começo era bem docinha, mas, na terceira mordida, a menina percebeu que o sabor agradável era sucedido ao azedo, que a bela maçã por dentro estava ácida e por mais que ela se esforçasse, não conseguia degustá-la. Passou muito tempo até a menina resolver comer outra maçã, afinal, lembrava-se nitidamente da decepção que tivera e o gosto ainda estava impregnado em sua garganta. Ela enrolou, enrolou e por fim decidiu não pegar nenhuma, levantou e encontrou uma mação no chão, olhou para os lados e deu uns passinhos para trás, chegou mais perto, observou bem e pegou a maçã, era uma linda maçã, cheirou e gostou do aroma. Colocou-a no chão novamente e foi dar uma volta, no outro dia, encontrou novamente a mesma maçã e assim foi resistindo, até o dia que não aguentou, pegou aquela maçã e deu a mordida que tanto sonhava e para sua surpresa, tinha o melhor sabor que ela jamais havia experimentado. Mas, uma parte da maçã estava podre e por mais que ela quisesse não poderia salvar aquela parte e ficou com o que era saudável, mas, não era o suficiente para saciar a menina...
Então, após muito tempo, desistiu de maçãs e agora faz jejum.
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Então, após muito tempo, desistiu de maçãs e agora faz jejum.
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quinta-feira, 15 de julho de 2010
Abster-se
Eu estive próxima, quase podia tocar, entretanto, recuei.
Convenço-me a cada dia que o belo não deve ser tocado, contudo, sinto um imenso desejo de encostar, sentir sua textura e curvas. Aproximar-me do o âmago da obra exposta.
Poderia ceder e nutrir-me deste momento, entretanto, recuei.
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Convenço-me a cada dia que o belo não deve ser tocado, contudo, sinto um imenso desejo de encostar, sentir sua textura e curvas. Aproximar-me do o âmago da obra exposta.
Poderia ceder e nutrir-me deste momento, entretanto, recuei.
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terça-feira, 13 de julho de 2010
Abstrato.
Não precisamos de palavras, nossos olhos dizem tudo o que sentimos e as nossas lembranças são as certezas de que não foram apenas sonhos...
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